Reflexões sobre: redes sociais, felicidades e tristeza.

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Imagem de internet – fonte: google imagens

 

” […] Verdade, uma ilusão
Vinda do coração
Verdade
Seu nome é mentira.” (Marisa Monte)

 

O trecho da música “Verdade uma ilusão “, de Marisa Monte, me fez refletir que vivemos numa época em que o virtual vem sendo visto como ideal. Mas por trás deste virtual muitas vezes se esconde uma solidão…

 

Pensar desta maneira pode parecer um paradoxo tendo em vista que atualmente as redes sociais nos tornaram escravos da felicidade instantânea.  Estamos vivenciando uma guerra de likes. Quem tem mais curtidas nesta foto? Quantos likes ganharei nesta foto? E assim vai…

 

Trocamos a experiência de vivenciar o momento por simplesmente registrá-lo, nos privando de senti-lo verdadeiramente. E assim vamos, pouco a pouco, perdendo a felicidade em viver.

 

Mas para onde isso vai nos levar? Bem, isso parece não importar uma vez que o foco é mostrar que eu estou feliz. Evidenciar que eu faço parte de algo. Ferramentas que me ajudam a maquiar certas tristezas. Assim como escondo algo debaixo do tapete quando estou cansado para varrer os dissabores que a vida, às vezes, dá de presente.

 

Parece ser muito legal fantasiar em frente uma timeline a vida dos sonhos, assim como os momentos incríveis. Mas deve ser muito difícil quando constatamos que um ideal do Eu não existe. E aí nos damos conta que vivemos muitas vezes uma mentira emocional. E como agir diante disto?

 

Devemos saber pedir ajuda e principalmente ser mais próximos com os nossos sentimentos e não mais afastá-los sem querer compreendê-los.

 

E agora o leitor pode estar pensando: Quanta bobagem. Pensar tudo isso me parece muito triste!

 

E esse tipo de pensamento me faz lembrar: Não posso ser triste! Não posso entristecer. Sentir-se triste é feio. Estou na era da felicidade. Parecemos que somos todos trabalhadores daquela rede de supermercado que só tem espaço para gente feliz…

 

Pobre ser humano… Mal sabe que a felicidade nasce a partir da tristeza. E pior… se a ignorarmos, não a reconheceremos. E chegamos até a adoecer de diversas formas.

 

Compartilho com todos um vídeo que descobri recentemente. Foi produzido pela Organização Mundial da Saúde e tem como título: “Eu tinha um cachorro preto e seu nome era depressão”.

Imagem de Amostra do You Tube

 

Ele nos faz refletir quanto a importância de não nos privamos de sentir. Dos efeitos que a felicidade a qualquer preço pode chegar. E principalmente: sinalizar que jamais devemos pensar que estamos sozinhos.

 

Mas porque escrever sobre redes sociais, felicidades e tristeza?

 

Meu objetivo foi propor uma reflexão de que não estamos mais nos entristecendo.  E quando não tocamos/reconhecemos nossas angústias geramos doenças. Quero falar de depressão como um plano de fundo. Quero, no site, pontuar que viver uma vida vazia não é um bom negócio. Nem todo mundo é tão ativo, bonito e influente quanto sua rede social mostra. E se não temos essa premissa e compramos a ideia da felicidade espontânea estamos entrando numa cilada.

 

” O lugar se faz por meio da adoção de significado no espaço, para isso recorre ao mundo vivido e o cotidiano para traçar essa relação. A ação dessa relação remete-nos a discutir a experiência. Não é possível construir o lugar sem experienciá-lo, apesar da experiência independer do lugar, o lugar depende da experiência para se constituir”. (Suess, 2014)

 

 

Não construímos nada sozinhos! Neste texto foi utilizado como referência os  seguinte artigo/mídias:

 

Marisa Monte performing Verdade, Uma Ilusão. (C) 2014 EMI Records Brasil Ltda, Universal Music Ltda. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=NGeYzX25yFg>. Acesso em: 27 jul. 2016

UM  cachorro preto chamado depressão (dublado). Produção de Organização Mundial da Saúde. 2014. P&B. Tradução postada por Edgard Junior. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=mO-zdIvZUpE>. Acesso em: 27 jun. 2016.

SUESS, Rodrigo Capelle. Corpo, experiência, mundo vivido e cotidiano: uma análise para a construção do conceito de lugar. In: VII CONGRESSO BRASILEIRO DE GEÓGRAFOS, Não use números Romanos ou letras, use somente números Arábicos., 2014, Sao Paulo. Anais do VII CGB ISBN: 97885985339041. Sao Paulo: Associação dos Geógrafos Brasileiros, 2014. p. 0 – 0. Disponível em: <http://www.cbg2014.agb.org.br/resources/anais/1/1404319416_ARQUIVO_trabcgb1.pdf>. Acesso em: 27 jul. 2016.

Wicked e a privação do amor. Uma reflexão aos pais e cuidadores.

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wicked_musical_brasil_renault
Fonte: imagem de internet

 

Está em cartaz em São Paulo um dos musicais de maior sucesso na Broadway: Wicked. Inspirado na obra de Gregory Mcguire, tornou-se um dos musicais mais aclamados e premiados na história da Broadway.

Neste musical, temos a oportunidade de conhecer a história de vida de Elphaba (a bruxa que assombrava OZ). A temática proposta no musical é expor a verdadeira história da bruxa. Essa que desde seu nascimento não teve espaço em sua própria família, não conseguiu ser amada pelos pais, e cresceu sendo ridicularizada e marginalizada por todos da sociedade por ter a pele verde.

Se isso não bastasse, Elphaba ainda convive ao lado de Glinda (a fada boa) que contém todo o estereótipo de uma pessoa amada e desejada pela sociedade. Ou seja, tudo o que Elphaba desejaria ter tido: reconhecimento, amor, carinho, dentre outras coisas.

Mas porque um blog que se propõe a falar de Psicologia está comentando sobre um musical?

O musical Wicked muito faz lembrar o que um psicólogo e pediatra inglês1 já dizia desde 1956, que uma privação emocional, sentida pela criança, com certas características essenciais da vida familiar, pode gerar estragos muito significativos.

Podemos perceber que a personagem Elphaba foi vítima desta privação emocional. A falta de um lugar na família somada à falta de investimento afetivo dos pais e a hostilidade com que a própria sociedade de Oz lhe tratou fizeram com que a personagem crescesse com a certeza de que nada de bom poderia oferecer, uma vez que nada de bom acreditava ter em sí…

 E o que o musical pode nos ensinar?

 A peça nos permite refletir o quanto é importante proporcionarmos um ambiente acolhedor aos nossos filhos. A importância de que se sintam protegidos e amados. Que eles percebam que possuem um lugar seguro para crescer e obterem um espaço potencial para se desenvolverem psíquica e intelectualmente.

E o desfecho da história?

O final não poderia ser melhor. Aliás um final mágico, com muitas reviravoltas, amor, e ternura que reafirma o propósito da peça: nem todo mundo nasceu mal. E a grande questão é o porquê se tornaram maus.

Ficou curioso?

O musical Wicked fica em cartaz até setembro/2016 no Teatro Renault, em São Paulo. E é um ótimo programa para se fazer em família.

Imagem de Amostra do You Tube

 

Não construímos nada sozinhos! Neste texto foi utilizado como referência o seguinte artigo/mídias:

  1. WINNICOTT, D.W. (1956) A tendência antissocial. In: Da pediatria à Psicanálise. Rio de Janeiro: Imago, 2000.
  2. WICKED Brasil – ‘Venha Ver’ (One Short Day). Direção de Cena Musical. Produção de Cena Musical. Realização de Cena Musical. 2016. vídeo youtube, P&B. Vídeo livre do youtube. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ed52vNpx2VI>. Acesso em: 19 jun. 2016.